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Capacitação em Dançaterapia 2019 - Módulo II

 

E se eu começasse este texto utilizando ao invés de um cumprimento habitual como “oi, bom diaaaa”, eu dissesse a expressão "olá, meus pêsames!" Muitos de vocês se assustariam e diriam: “Nossa, o que isso?” Ou talvez, “Que baixo astral” dentre outras tantas manifestações de estranheza. Mesmo sabendo que, de fato, não nos cumprimentamos dessa maneira, gostaria de imaginar que por um dia fosse assim, o que com efeito, talvez teria uma maior congruência com nossos dias atuais. Será que essa manifestação do sentir, não nos ajudaria a fazer uma reflexão diária sobre as questões da morte e dessa maneira elas poderiam influenciar nossas ações cotidianas? A morte é a única certeza que temos na vida, o restante é mudança constante! Dentro desta perspectiva, que lugar ocuparia em nossa vida, por exemplo, a roupa que vestimos da Soberba? O mais danoso dos sete pecados capitais. Por que fazemos de conta que a morte não existe? Por que a ignoramos como se soubéssemos que ela está longe se, todos os dias vivemos pequenas mortes? Por que não podemos conviver com essa máxima para transformar a realidade diária de nossas vidas? Sempre fazemos um hiato entre vida e morte. Negamos os fins e nos sentimos “como se” tivéssemos sido traídos pela vida. Não suportamos o vazio e a dor pois não sabemos lidar com eles. Como no conto “Perdoando Deus” de Clarice Lispector, quando de repente levamos um susto com um rato ruivo horrendo, morto à nossa frente.

Neste II Módulo, realizado nos dias 30 e 31/03 o Mito de Deméter nos trouxe uma profunda reflexão da metáfora da Morte e Renascimento vividos pelo corpo. Todos nós estamos indo de um lugar para outro, de uma experiência de vida para outra, com novas surpresas e acasos, desde o nascimento até a morte. Precisamos quebrar a inércia com uma dança interior que ensina o nosso pé a percorrer, compreender e celebrar cada estação natural, oferecendo mais atentamente o cuidado, a proteção e a nutrição às nossas sementes pois, em diversos momentos, nos enganamos em relação ao novo movimento, que mora no por vir. Que possamos refinar nossa condição humana especialmente em sensibilidade, ajustando o foco da inteligência de forma a superar hiatos existenciais, que foram incutidos em nós por crenças cristalizadas, nos afastando do SER integral que realmente somos. Não há somente uma compreensão intelectual da realidade. Há também um tecido cósmico que interliga todos os seres, do qual fazemos parte. Ele é capaz de separar-se, morrer e renascer infindavelmente.

Contemplemos a Terra!

"Com o tempo, a gente aprende que quando a vida nos apresenta dor é para que se aprenda a abraçar os momentos de generosidade que ela proporciona, pois só se percebe a delicadeza do dia depois que se atravessa a escuridão da noite". (Inês Seibert)

Dedicado aos meus pais, familiares e alunos.

Com imenso carinho, Adriana Túbero

Registro de Imagens: Victor Kato